quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Livro: Educação e Inclusão Socioambiental

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Livro organizado pelas pesquisadoras Maria Geralda de Miranda e Katia Eliane Santos Avelar com artigos de diversos bolsistas, a saber: Jaqueline Guimarães Mendes, Renata Michelli Ferretti, João Lanzellotti Neto, Wagner Gonçalves Trancoso (mestrandos) e  André Luís dos Santos Barroso, bolsista professor da Rede Pública de Educação do Rio de Janeiro e Diretor da Escola, Professor José de Souza Marques, colégio em que o projeto desenvolveu nos últimos dois anos várias atividades de pesquisa e extensão.


Detalhes do produto
ISBN: 978-85-444-0969-5
Editora: EDITORA CRV
Distribuidora: EDITORA CRV
Número de páginas: 162
Ano de edição: 2016
Formato do Livro: 16x23 cm
Número da edição: 1
 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Oficina de Recursos Hídricos no CIEP São Teodoro

Local: CIEP São Teodoro
Dias: Quintas de Outubro e Novembro



A educação ambiental busca alcançar um mundo mais sustentável por meio da mudança de comportamentos dos diversos segmentos da sociedade. Dentro dessa perspectiva, o AMBENAP estará trabalhando, na escola, a importância da conscientização dos jovens, sobre o uso sustentável dos Recursos Hídricos. Para isso, oficinas terão a função de gerar consciência crítica nos alunos. O CIEP SÃO TEODORO localizado em Nova Iguaçu, nas quais as oficinas atuam, sofre com problema de falta de água no entorno, com objetivo de transformar a realidade da comunidade que cerca a escola por intermédio da conscientização dos alunos sobre o uso correto dos Recursos Hídricos. Os objetivos das oficinas foram:

- Ensinar aos alunos sobre a Bacia Hidrográfica do estado do Rio de Janeiro identificando o Rio Botas.
- Demonstrar que a degradação do Rio Botas se inicia no contato com a população. Aplicar oficinas que estimulem os alunos a refletir sobre a necessidade emergencial de preservação dos recursos hídricos.
- Afirmar que a degradação do Rio Botas influencia no problema de falta de água na Comunidade onde está situada o CIEP.
- Estimular os alunos por meio do processo da conscientização nas oficinas a influenciar a comunidade local para melhor preservação dos recursos hídricos.

            O professor Rafael Mello fez diferentes dinâmicas ao longo das oficinas, na primeira os alunos, após, entenderem o significado sobre Bacia Hidrográfica e que o Rio Botas faz parte de uma, montaram livremente sua próprias Bacias em cartazes ou maquetes. Outra dinâmica foi em forma de jogo onde os alunos somavam mais pontos ao acertaram uma atitude positiva em relação a preservação dos Recursos Hídricos.

            No último dia a Professora Danielle Reis foi convidada a conhecer o CIEP e fazer várias dinâmicas com direito a brindes para os alunos participantes. Sua experiência com o tema contribuiu para o sucesso das atividades com os alunos.



2ª Oficina de Recursos Hídricos na Escola Municipal Embaixador Hurtado

Local: Escola Municipal Embaixador Hurtado
Dia: 25/11/2016 
Tema: Desperdício e Poluição


O encontro desenvolveu-se em dois momentos: primeiramente, houve uma apresentação sobre problema do desperdício e da poluição dos recursos hídricos; após, foram realizadas oficinas, pelas quais todos os alunos, divididos em três grupos, passaram na forma de “circuito”. Em cada percurso um aluno foi destacado pelo melhor desempenho, recebendo um ponto. O maior pontuador dentre as atividades receberia um brinde, conforme combinado com os discentes. A surpresa foi o fato de termos tido três ganhadores neste dia.


Da apresentação do tema:

A professora Danielle discutiu o tema com a turma e propôs uma reflexão coletiva. Neste momento, os alunos puderam entrar em contato com o conhecimento produzido pela academia de forma simples e objetiva, bem como participar com sugestões e esclarecer dúvidas.
Foi possível entender a definição de desperdício, repensar atitudes cotidianas e sugerir alternativas ao problema. Com relação à poluição, os alunos perceberam sua responsabilidade em preservar os recursos hídricos limpos para a saúde de toda a comunidade, para o bem estar dos seres vivos e para a manutenção dos ecossistemas e do clima.
Ao final desta etapa, foi dado um exemplo de despoluição de rio de forma simples e com baixo custo, o qual foi possível pelo engajamento, organização e planejamento da comunidade envolvida.


Oficina para colorir

            Os alunos tinham à sua disposição uma serie de desenhos ilustrando os recursos hídricos em forma de rios, mares, cachoeiras e os seres vivos ali presentes. Cada um escolheu um desenho para pintar, de forma que o mais belo esteticamente foi escolhido como o melhor desta oficina.


Despoluindo o Saber

            O professor Rafael Mello realizou uma dinâmica sobre o tema poluição. Um cartaz foi usado como tabuleiro do jogo. Os participantes tinham que percorrer um trajeto. Ao lançarem os dados respondiam perguntas que abordavam a temática da poluição das águas, se acertassem dobrariam o percurso percorrido da rodada, errando se manteriam na mesma casa do tabuleiro.

            O trajeto tinha obstáculos que poderiam fazer os participantes avançar ou recuar. Quem chegasse primeiro ao final venceria.

            O professor José Carlos usou uma dinâmica baseada em um jogo de tabuleiro, no qual cada aluno recebeu um pino que deveria ser movido de acordo com o dado. O vencedor seria quem chegasse no final antes dos adversários.

            Ao longo do caminho algumas casas eram denominadas de cartas. Ao "cair" nelas o jogador teve que retirar um carta e ler em voz alta. Se o título viesse: Atitude positiva seu pino avançaria, mas se viesse Atitude negativa recuaria. A atitude era sempre lida pelo participantes, criando um caráter educativo, pois estimulava o não desperdício dos recursos hídricos.


Após todos os alunos percorrerem as oficinas, foram declarados vencedores os três maiores pontuadores: Wanderson, Davison e Dayan.


sábado, 25 de junho de 2016

Oficina: Recursos Hídricos

Local: Escola Municipal Embaixador Hurtado

Dia: 02 de Junho de 2016, das 10:00 às 11:40 horas.

Organização: AMBENAP (Implicações do Ambiente no Processo de Ensino e Aprendizagem) da UNISUAM.







       A educação ambiental busca alcançar um mundo mais sustentável por meio da mudança de comportamentos dos diversos segmentos da sociedade. Dentro dessa perspectiva, o AMBENAP estará trabalhando nas escolas, a importância da conscientização dos jovens, sobre o uso sustentável dos Recursos Hídricos. Para isso, as oficinas tiveram a função de gerar consciência crítica nos alunos de uma turma da Escola Embaixador Hurtado no bairro de Cordovil.


            Na primeira parte o professor e Mestre de História, Rafael Mello, apresentou aos alunos da turma da Escola Municipal Embaixador Hurtado a ideia do projeto Ambenap, em seguida, por intermédio de uma apresentação em Data show, explicou como se dividem as Bacias hidrográficas do estado do Rio de Janeiro de forma dinâmica e com uso de tigelas que representariam as diferentes bacias.


            Posteriormente, a Professora e mestre de Língua Portuguesa, Danielle Reis, aplicou diferentes atividades dinâmicas que ao mesmo tempo, visavam melhorar a escrita dos alunos, e conscientizar sobre a maneira adequada de preservar os recursos hídricos. Os alunos fizeram versos e montaram um cartaz com suas próprias frases de conscientização. A atividade foi muito proveitosa e contou com participação ativa dos alunos da turma do Professor José Carlos que faz parte do AMBENAP, e leciona na escola. O bolsista do AMBENAP Tadeu também participou ajudando na oficina.





Pesquisa: Igualdade de Gênero




UMA AVALIAÇÃO DE CONCEITOS E COSTUMES SOBRE IGUALDADE DE GÊNEROS NA EDUCAÇÃO BÁSICA

                 Dizer que não é permitido qualquer tipo de discriminação com base no gênero significa dizer que todos merecem igual respeito da lei, dos governantes e das pessoas em geral, independentemente de seu sexo biológico, da identidade que assumam ou do papel social que exerçam. Este trabalho busca estudar a percepção acerca da igualdade de gênero em adolescentes do Colégio Estadual Prof. José de Souza Marques, por meio de pesquisa qualitativa realizada com as turmas de ensino médio. O foco será a análise dos costumes e conceitos dos estudantes sobre as relações de gênero no ambiente escolar.

                O produto deste projeto será um e-book voltado para questões prioritárias, orientadas pela UNESCO relativas a gênero. Espera-se que tais conteúdos auxiliarão na sensibilização dos adolescentes quanto ao direito à educação igualitária como primordial ferramenta, indispensável ao desenvolvimento humano para a plena fruição da liberdade e da igualdade. 

                A desigualdade de gênero reflete no dia-a-dia escolar e até nas escolhas profissionais que meninas e meninos fazem. Neste sentido, serão realizadas ações educativas visando à igualdade de gêneros entre meninos e meninas da educação básica, com o objetivo de esclarecer a todos os envolvidos a percepção das desigualdades presentes no ambiente escolar, e que não mais as vejam como algo natural. Para isso serão utilizados grupos mistos, de meninas e meninos, combatendo a desigualdade e diminuindo os estereótipos relacionados as questões de gênero.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Pesquisa: Gota D'Água - Educação em Recursos Hídricos.







O Projeto A Gota D´água teve como principal objetivo contribuir para a conscientização e mudança de atitudes dos alunos do ensino médio, no que tange a proteção e preservação dos recursos hídricos, verificando o modo pelo qual a escola trata a questão da Educação Ambiental; além disso, possibilitou-se a disseminação de práticas de educação ambiental para os Recursos Hídricos no ambiente escolar. Como público alvo foram escolhidos os alunos da primeira série do ensino médio, mas logrou-se a mobilização de toda a comunidade escolar: direção, professores e funcionários.







quarta-feira, 6 de abril de 2016

Pesquisa: Educação Ambiental.



A pesquisa foi realizada com crianças e adolescentes (alunos entre 12 e 14 anos de idade), estendendo-se à comunidade escolar. Utilizou como referência para o seu desenvolvimento, a Metodologia da Problematização, embasada no método do Arco, de Charles Maguerez.

A fim de verificar a mobilização dos alunos diante do problema em questão - desenvolvimento da cultura de responsabilidade ambiental no que tange aos resíduos sólidos - foi proposto aos mesmos que separassem pilhas, celulares, baterias, latas de alumínio, papel, papelão e garrafas PET utilizados em suas residências, trazendo-os para a escola, pelo período de 5 dias úteis

Foi iniciado um processo de Educação ambiental, por meio de oficinas, com a utilização de material didático. A coleta seletiva na escola, etapa importante do processo, subtraiu o caráter puramente teórico da aula e enfatizou a importância de cada indivíduo para o bem-estar coletivo.

Após as atividades desenvolvidas em torno da Educação Ambiental, iniciou-se novamente o recolhimento dos resíduos sólidos, por mais um período de 5 dias úteis. Os recursos financeiros angariados com a venda dos resíduos sólios foram revertidos em um lanche coletivo. A pesquisa possibilitou comparar, quantitativamente, a participação dos estudantes antes e após o desenvolvimento do Projeto, fato que permitiu identificar que  houve um aumento dos resíduos sólidos coletados após as aulas de Educação Ambiental.

Verificou-se a importância da Educação Ambiental para que as crianças e os adultos entendam que o “lixo” é um recurso potencial e percebam as implicações de atitudes descomprometidas, tanto na geração quanto em sua destinação, sendo a Escola, por excelência, um dos espaços propulsores do encadeamento cultural de hábitos e atitudes comprometidas com o destino responsável dos resíduos sólidos. 


terça-feira, 22 de março de 2016

Pesquisa: O perfil do docente e o uso do lúdico para a melhoria da Educação Básica - Jogos matemáticos



Pesquisa desenvolvida pelo bolsista João Lanzellotti Neto, com docentes e alunos da escola José de Souza Marques. A pesquisa foi realizada em 2014, mas os resultados foram apurados e discutidos em 2015. Teve como objetivo contribuir com a melhoria da Educação Básica por meio da elaboração de uma proposta de EducaçãoMatemática e Ambiental de forma a promover as bases para o raciocínio lógico.

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JOGO: “O Enigma dos Quatro”



O objetivo para esse jogo foi favorecer a compreensão dos estudantes na construção e na resolução de expressões numéricas, de tal forma que os alunos com apenas quatro números 4 e os sinais aritméticos deveriam construir essas expressões cuja resposta fosse um valor de 0 a 10 ou 16 e/ou a partir de um determinado valor construir a expressão numérica, dentre outros conteúdos matemáticos de especial relevância para o estudo no ensino médio e suas aplicações diretamente no cotidiano


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Os resultados da pesquisa apontaram que o ensino da Matemática é inadequado e o currículo não responde às necessidades educacionais do mundo atual, na medida em que não contribui para a formação de cidadãos conscientes e preparados para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente. 




Livro: Educação Básica de Qualidade para Todos - Desafios do Brasil




Com o objetivo de contribuir com a reflexão acerca da melhoria da Educação Básica, por meio de estudos e pesquisas realizadas no decorrer do projeto o livro conta com 325 páginas, distribuídas em 15 artigos, organizado pelos professores; Maria Geralda de Miranda, Kátia Avelar, Rodrigo Souza, Reis Friede e Silvia Mello. 

O livro foi lançado no III Seminário de Educação Ambiental, encontra-se disponível para compra no site: http://www.editoraappris.com.br/produto/educacao-basica-de-qualidade-para-todos-desafios-do-brasil






segunda-feira, 24 de março de 2014

Colégio Estadual Olga Benário Prestes

  


 O CE Olga Benário Prestes está localizado em Bonsucesso, bairro que na década de 50 e 60 era considerado a elite do comércio do Rio de Janeiro.
   Para chegar ao CE Olga Benário Prestes, deve-se seguir  a Rua Uranos e entrar na Rua Joana Fontoura, rua de acesso ao morro do Adeus. 
   O prédio possui 26 salas de aula, 62 turmas, com o quantitativo de 2370 alunos. A nossa unidade escolar funciona em três turnos. Há projetos, em parceria , com o CICV, com o INCA, além do Projeto de Leitura. E, em andamento, temos o projeto Nas Águas do Olga e o projeto da Horta.
   Tais projetos fazem parte de um bloco de ações  que têm como objetivo a nossa missão: educar para a Cidadania, levar nossos alunos a um futuro de sucesso.

O Projeto

Introdução:

O AMBENAP visa produzir pesquisa acadêmica com vistas à melhoria da qualidade da Educação Básica, a partir de análise do ambiente escolar e suas implicações no ensino aprendizagem. Será desenvolvido em três escolas públicas do Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, por uma equipe interdisciplinar constituída por professores do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local (PPGDL) do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), professores da Educação Básica, alunos do PPGDL e de cursos de graduação da UNISUAM.



Objetivos:
     
     • Produzir pesquisa acadêmica com vistas à melhoria da Educação Básica, a partir da observação do ambiente escolar e suas implicações no ensino aprendizagem.

     • Investigar a relação entre educação e aprendizado, ambiente natural e ambiente construído, condição socioeconômica das famílias e suas implicações no ensino aprendizagem.

     • Integrar a escola pública à universidade e vice-versa e, ainda, integrar saberes da equipe interdisciplinar de professores e alunos do PPGDL e da graduação aos saberes da escola e da comunidade

     • Elaborar metodologias e materiais didáticos interdisciplinares para professores e alunos, de modo que estes possam avaliar a eficácia destes no aprendizado;



Metodologia:



O método interdisciplinar norteará o trabalho do grupo, por entendermos que os problemas relacionados à Escola Básica não dizem respeito apenas à área da Educação, mas a todas às áreas e à sociedade. O estudo terá pesquisadores e alunos de várias formações, para que se possa, após conhecimento dos dados, debruçar-se sobre eles e produzir resultados significativos para a educação brasileira. Os pesquisadores utilizarão as bases de dados do INEP e também farão pesquisas nas escolas selecionadas, para, por meio de amostragem, conhecerem a realidade destas escolas e o modo como elas “dialogam”, em suas relações cotidianas, com o ambiente, a pobreza e a violência etc, com vistas a contribuir com a melhoria dessas escolas por meio de parecerias entre tais escolas e a UNISUAM.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Aquariofilia serve como ferramenta de conscientização ambiental de estudantes



Vinicius Zepeda

Divulgação/Expoacqua/Unisuam 
            
      Projeto usou ensino de técnicas de manejo de peixes ornamentais
      para fazer estudantes aprenderem a refletir sobre o meio ambiente


  
  Em busca de uma maneira atrativa de ensinar estudantes do Ensino Fundamental sobre a importância da preservação do meio ambiente e da manutenção da vida, uma equipe de professores e pesquisadores ligados ao Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam), a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj) – órgão da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca – e a Associação dos Aquicultores Ornamentais do Estado do Rio de Janeiro (AquoRio) desenvolveram um projeto de ensino de técnicas de manejo e conservação de peixes ornamentais em aquário – a chamada aquariofilia. Por sua proximidade, a escola escolhida foi o Ciep Professor César Pernetta, na favela Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. Ao acompanhar todas as oficinas quinzenais no primeiro semestre de 2013, abordando temas sobre o meio ambiente e produção de peixes ornamentais, os pesquisadores puderam observar a mudança de comportamento dos estudantes. O projeto, que culminou com a doação de aquários e peixes aos estudantes, que passaram a manejar o aquário em casa com a família, contou com auxílio do edital Apoio a Projetos de Extensão em Pesquisa (Extpesq), da FAPERJ.
 Os primeiros resultados do projeto foram tema da dissertação do mestrado em Desenvolvimento Local, na Unisuam, defendida pelo professor de Educação Física do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow de Oliveira (Cefet) Paulo César Nepomuceno dos Reis, sob a orientação de Silvia Conceição Reis Pereira Mello,  coordenadora do projeto e pesquisadora da Fiperj. As oficinas, a exposição de peixes ornamentais e a montagem do aquário envolveram professores e 40 estudantes do 8º ano do ensino fundamental do Ciep, entre dezembro de 2012 e julho de 2013. "Além de envolver diferentes disciplinas, manter um aquário em sala de aula torna-se não apenas um instrumento de lazer como também uma fonte constante de aprendizado. Toda essa atividade com certeza contribui para despertar o interesse dos alunos pela biodiversidade e pela preservação do meio ambiente", explica Silvia.
Divulgação/Unisuam  
      
Entre as atividades, os estudantes do Ensino Fundamental do Ciep
César Pernetta ajudaram na limpeza do aquário instalado na escola   
 O aquário serviu para a realização de inúmeras atividades. Para isso, entre as primeiras etapas do projeto, houve oficinas e práticas em sala, abordando diversos temas, como ação humana diante da natureza, importância de cuidar do planeta, impacto do desmatamento das florestas, importância da qualidade da água, as formas de preservá-la e evitar desperdícios, além da introdução à própria aquariofilia. Nessa etapa, foi preciso definir tamanho do aquário, uso de cascalhos e plantas, iluminação, filtragem, aquecimento e monitoramento da qualidade da água. Diariamente, sob supervisão dos professores, os alunos tinham de acompanhar, numa planilha, a qualidade da água, medindo temperatura, níveis de amônia e pH. Semanalmente, era a vez de proceder à limpeza, com troca de água, evidenciando a importância da manutenção do ambiente limpo para a conservação da vida. "Os alunos também produziram textos com os conhecimentos adquiridos."
  Eles também foram encarregados de levar peixes Betta, ração e um puçá para casa, onde cuidariam deles com a orientação de um manual", conta Silvia. A pesquisadora destaca a importância do envolvimento dos alunos e suas famílias nesses cuidados. "Alguns alunos deram comida demais e acabaram matando os peixes, outros esqueceram de trocar a água. Os que perderam os peixes ficaram extremamente tristes, mas tudo isso os mobilizou e os deixou mais focados e envolvidos no projeto", afirma Silvia. Ela observou também outro benefício desse envolvimento. "Na época, o clima na comunidade era tenso, operações policiais aconteciam regularmente em função do controle do tráfico de drogas na região, e os estudantes viviam um clima de tensão e estresse constante. Os cuidados com os peixes em casa ajudaram a esquecer um pouco essa tensão, levando-os a se concentrarem em cuidar de um animal, no caso, o peixe", destaca Silvia. Os jovens ainda participaram de visitas guiadas a dois grande eventos: a Expoaqua – uma grande exposição de peixes ornamentais, com ciclo de palestras sobre o tema – e o Enabettas 2013 – competição de peixes Betta.
Divulgação/Unisuam 
            
      Silvia Mello e os alunos do Ciep durante o dia da montagem do aquário

 Os estudantes também responderam um questionário. Segundo Nepomuceno, que usou os resultados em sua dissertação de mestrado, alguns deles mereceram destaque. "No que diz respeito à importância do uso da água, inicialmente, 87,5% deles haviam respondido positivamente antes da montagem do aquário. Mas depois, todos foram unânimes em destacar a importância desse recurso natural. Outra questão foi o desperdício. Ao responder a pergunta se fechavam ou não as torneiras enquanto escovavam os dentes, 62,5% responderam que sim, antes do projeto; depois, esse número subiu para 81%. Os dados mostraram uma mudança de atitude em relação à água, e seu consumo", explica Nepomuceno. Sobre o comportamento dos jovens no ambiente escolar, antes do início do projeto os resultados mostravam que 42,5% falavam mais, 35% escutavam mais e 22,5% não responderam. Após o projeto, esse percentual se dividiu igualmente em 50% para falar mais e 50% para escutar. "Essa mudança de atitude e o fato de ninguém deixar de responder à pergunta mostraram o aumento da desinibição dos estudantes quanto a uma participação mais efetiva, o que indicou maior comprometimento e espírito de grupo ao dividirem de forma equilibrada o ato de falar e escutar", complementa.
  Para Nepomuceno, a participação no projeto foi extremamente gratificante. "Pude constatar como os diferentes campos do conhecimento podem se complementar e auxiliar no aprendizado dos jovens. E, como profissional de Educação Física, entendo que tanto o nosso corpo quanto o ambiente pessoal precisam ser estimulados para se manter dentro dos padrões não só físicos, mas éticos e sociais", explica. Segundo o pesquisador, quando a aquariofilia entra como tema motivacional, está buscando criar para os jovens uma oportunidade de se envolver com um tema que desperte seu interesse, além de oferecer uma formação teórica que no futuro poderá contribuir para uma escolha profissional. Ele ainda destaca os valores passados aos estudantes pela iniciativa. "Enquanto instituição responsável pela formação, a escola muitas vezes peca pela valorização do cognitivo em detrimento da formação humana. É nesse sentido que observamos a grande importância desse trabalho, que tem como ponto forte o enfoque no desenvolvimento de valores humanos como responsabilidade e compromisso", acrescenta.
  O aquário no Ciep Professor César Pernetta continua sendo cuidado pelos alunos, professores e estudantes de Iniciação Científica da Unisuam. Em março, cerca de 20 alunos de turmas do 8º e do 9º ano que mais se mostraram interessados no cuidado com os peixes serão selecionados para participar de um curso sobre preservação do meio ambiente e aquariofilia no centro universitário. "O retorno pelos adolescentes tem sido extremamente gratificante. Esperamos buscar mais recursos para expandir o projeto para outras escolas de ensino fundamental e, com isso, aumentar ainda mais a conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente, em especial dos recursos hídricos", conclui.

Link para a matéria original:


© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.


quarta-feira, 19 de março de 2014

Escolas Integrantes do Projeto



Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes




Estrada do Itararé, Nº 690, Ramos, Rio de Janeiro - RJ - CEP: 21061-240



Colégio Estadual Olga Benário Prestes


Rua Joana Fontoura nº 20, Bonsucesso, Rio de janeiro - RJ - CEP: 21060-610


Colégio Estadual Professor José de Souza Marques

Colégio Estadual Chile

Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes





O Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes, um dos parceiros do Projeto AMBENAP,  foi construído na área que abrigava galpões da antiga fábrica da Poesi, na Estrada do Itararé, bairro de Ramos, no Rio de Janeiro. O espaço era considerado um grande esqueleto abandonado dentro da comunidade do Complexo do Alemão. Com a instauração do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), foram usados recursos do Governo Federal e do Governo Estadual para revitalizar a área, idealizando-se assim o projeto de um estabelecimento de ensino que fosse referência, uma espécie de UPP Social. O arquiteto Jorge Mario Jauregui foi responsável por este projeto que busca integrar a comunidade ao colégio numa perspectiva sócio geográfica. Foram mais de dois anos de construção e, em 24 de junho de 2010, inaugurava-se o Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes com a presença de autoridades do município e do estado do Rio de Janeiro e representações comunitárias bem como  a irmã do homenageado, Srª Tania Lopes.
Com espaços climatizados, acessibilidade total, rede wi-fi e sistema Conexão Educação, a unidade de ensino possui 15 salas de aula, auditório, biblioteca, áreas de convivência, laboratórios de Ciências e de Informática, sala de multimídia, a sala de Matemática da FIRJAN, salas de recursos, de oficinas pedagógicas, de atividades artísticas, cozinha, refeitório, quadra de esportes e piscina semiolímpica.  A U.E. funciona em três turnos e atualmente tem cerca de 1300 alunos alocados com aulas nas modalidades do Ensino Médio Regular e da Nova Eja Ensino Médio. 
A escola trabalha em prol de uma educação inclusiva que vise à igualdade, respeite a diversidade, que promova conscientização dos direitos e deveres de cada ser humano e deseja ser uma escola de referência na formação e no desenvolvimento cognitivo e sociocultural dos alunos.        
 O C.E. Jornalista Tim Lopes participa dos Programas da SEEDUC: Escola Aberta, Brasil Alfabetizado, PROEIS, Projeto da Sala de Leitura cujo tema escolhido pela comunidade escolar é "Sou jovem. Sou cidadão. Quero participar!" e Reforço Escolar; e de Projetos de instituições  como o "Inca de Portas Abertas", além dos desenvolvidos pela própria U.E. como, por exemplo, a Ação Social no dia de falecimento do jornalista Tim Lopes, 02/06, e, no dia 18/11, data de nascimento do jornalista, a culminância denominada "Tim Mix Cultural". 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A perspectiva da complexidade na compreensão da relação Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) no ensino de Ciências Naturais

A Ciência moderna é apresentada, na maioria das vezes, em suas partes distintas ou especializadas, tanto na formação de pesquisadores da área quanto de professores desse componente curricular na Educação Básica. Já o ensino de Ciências Naturais (Biologia, Química e Física) nas escolas vem sendo alvo de muitos questionamentos quanto aos procedimentos metodológicos que são adotados para o desenvolvimento dos conteúdos e conceitos com os estudantes. Uma das inquietações maiores está em, como desenvolver/tratar com os estudantes e professores, os temas sociais como, por exemplo, a transgenia, as células-tronco e outros temas, que envolvem a Ciência e a Tecnologia, sem refletir sobre suas implicações sociais?
Sob esse ponto de vista, uma das preocupações do texto é refletir o tema CTS na perspectiva da complexidade, ou seja, mostrar que quando estudamos os fenômenos naturais eles precisam ser vistos numa outra ótica, o da complexidade como uma possibilidade de compreensão dos mesmos. Perceber as relações existentes entre a tríade CTS, quais as implicações sociais da Ciência e Tecnologia é um fato pertinente nesse trabalho.
Para isso, o texto trata inicialmente sobre o ensino-aprendizagem em Ciências Naturais sob o ponto de vista cartesiano, mas mostra também propostas inovadoras que buscam melhorar essa maneira de ver o mundo. Logo depois, traz a complexidade, a inter/transdisciplinaridade como possíveis características importantes para a compreensão dos fenômenos naturais. E por último, a complexidade, inter/transdisciplinaridade aliadas ao estudo dos aspectos CTS.
O paradigma cartesiano no ensino de Ciências Naturais
Estudos (MALDANER; ZANON, 2004), mostram insuficiências na aprendizagem de conceitos e conteúdos pelos estudantes, por isso propostas metodológicas curriculares como a Situação de Estudo (SE), são produzidas e desenvolvidas para a Educação Básica. A SE tem como propósito, além de acatar a possibilidade disciplinar que também é fundamental, considera o caráter interdisciplinar aliado à vivência dos estudantes, a evolução conceitual e sua significação no percurso das aulas, a formação inicial e continuada de professores e a compreensão da relação entre conhecimento científico, novas tecnologias e a sociedade (ARAÚJO et al, 2005). Acreditamos que essa metodologia de trabalho possa permitir um avanço no ensino-aprendizagem nos espaços formais e informais.
Trazemos inicialmente para a reflexão o documentário “O Ponto de Mutação” (vídeo), baseado no livro com o mesmo nome do físico austríaco Fritjof Capra (1986), que retrata a vida sob os aspectos biológicos, físicos, sociais, políticos e poéticos, entre outros. Estes são apresentados sob o ponto de vista mecanicista e holístico. Consideraremos a teoria derivada do Método de Descartes, que explica a visão mecanicista, a natureza e seus fenômenos, portanto funcionando como máquinas, que se compõem de partes. As máquinas possuem um conjunto de peças, com funções específicas, que poderão ser compreendidas quando desmembradas e que, quando somadas, constituem novamente o todo inicial. Acreditamos que essa idéia de máquina possa estar relacionada com o pensamento tradicional de Ciência no que diz respeito aos conteúdos e conceitos desenvolvidos nas escolas ainda hoje.
O diálogo do documentário destaca com ênfase essa concepção mecanicista ao trazer a figura de uma árvore como exemplo de análise, ou seja, cada parte funciona independentemente do restante: as raízes nada têm a ver com o funcionamento do caule e das folhas. As raízes, no entanto, absorvem os sais minerais e a água, o caule e os ramos conduzem as substâncias e as folhas absorvem o gás carbônico, para realizar a fotossíntese e liberar o oxigênio. Logo, uma parte complementa a outra para garantir a vida das plantas e dos demais seres vivos.
Essa metáfora servirá como reflexão sobre o ensino de Ciências Naturais desenvolvido hoje. A hiperespecialização dos saberes advindo desse processo é uma realidade na área, pois cada vez mais procuramos saber tudo sobre uma pequena parte. Especializamo-nos em citologia (estudo da célula), que é um ramo da Biologia, mas, sabemos pouco sobre outros ramos, como a Botânica, a Zoologia, e menos ainda de outras ciências, como a Química, a Física, que permitiriam compreender melhor os fundamentos desse estudo. “Assim como ao se descer num poço a percepção do terreno ao redor vai se tornando mais e mais difícil, o conhecimento especializado pode conduzir a uma falta de percepção do contexto em que tal conhecimento foi produzido. Pode conduzir, portanto, a distorções ao tratar das implicações desse conhecimento” (D’AMBROSIO, 2001: 76).
 Nas instituições escolares e no dia-a-dia das pessoas está ainda muito presente esta visão cartesiana, ou seja, a fragmentação, a linearidade, a descontextualização dos conteúdos e conceitos escolares, os quais se apresentam, conforme Giordan “sem ligação com a realidade vivida, sem perspectivas pessoais ou sociais e, sobretudo sem um mínimo questionamento prévio, esses saberes são jogados na vida dos estudantes como moscas que caem no prato da merenda escolar”. (2002: 226).
Cada vez faz-se mais presente nos meios educacionais a convicção de que temos de avançar para que as vivências e opiniões que os estudantes trazem para a sala de aula, ou seja, os conhecimentos provenientes do “senso comum”, ou da sua realidade social, sejam empregados para a compreensão dos conceitos científicos. “Não importa que esses conceitos (do cotidiano) sejam diferentes daqueles (científicos) que a escola ensina. Ambos são importantes no trabalho pedagógico, pois nele se enriquecem mutuamente, conforme pressupostos de Vigotski” (MALDANER; ZANON, 2004: 52).
Nesse sentido, a proposta curricular de SE busca repensar o processo de ensino-aprendizagem tradicional, por meio do desenvolvimento de algumas características, dentre elas, a inter-transdisciplinaridade nas aulas de Ciências Naturais, pois se acredita que os fenômenos naturais sejam eles biológicos, físicos, químicos, sociais ou mentais, não têm sentido real se não forem compreendidos na sua especificidade e na sua complexidade.
A complexidade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade
Edgar Morin ao formular a Teoria da Complexidade sugere a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade como estratégias cognitivas para analisar e compreender a realidade do mundo. Esta também é uma preocupação dos educadores de Ciências Naturais em função, justamente, do que está se ensinando para os estudantes e o que eles estão aprendendo.
O conceito de complexidade é definido pelo autor como “aquilo que está tecido junto, aquilo que está ligado”, ou seja, são interações que caracterizam os fenômenos bio-físico-culturais, mas que também têm suas incertezas, pois nada é absoluto na ciência. Segundo Morin (2000: 59), “conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza”. Martinazzo (2004) considera que o conhecimento nunca é algo fechado e pleno, mas aberto e recorrente, uma vez que a natureza em si está em constante renovação/evolução, e, portanto, a ciência também não é algo absoluto, mas provisório.
A compreensão da complexidade possibilita visualizar a simplicidade (disjunção e redução) como “um paradigma que põe ordem no universo e expulsa dele a desordem [...] vê quer o uno, quer o múltiplo, mas não pode ver que o Uno pode ser ao mesmo tempo Múltiplo” (MORIN, 1990: 86).
 Há uma tendência nas ciências em querer separar as estruturas e as idéias para poder estudá-las, ou seja, tirar o objeto de seu contexto para poder pesquisá-lo. Tenta-se atomizar, reduzir tudo que existe, por exemplo, estudar os organismos, as células, as substâncias, as moléculas, os átomos, os elétrons... Uma forma de desconectar o que está junto, ou seja, analisar as partes separadamente, em vez de considerá-las no seu conjunto e na sua relação entre parte-todo, pode ocorrer quando um biólogo tenta classificar os seres vivos, colocá-los em seus “devidos lugares”, conforme as suas características (VASCONCELOS, 2005). Para esta autora, pelo princípio da estabilidade o mundo é considerado estável, ordenado, em que tudo tem uma causa e um efeito, ou seja, é linear, objetivo, manipulável e previsível. E no princípio da objetividade é possível conhecer o mundo assim como ele é. O observador se distancia de sua pesquisa, fica de fora dela, ou seja, longe do objeto, para ter uma visão abrangente e sem interferências. É ter “realismo do universo” (VASCONCELOS, 2005). Essa maneira de pensar engessa as observações e compreensões construídas pela Ciência tradicional.
É muito difícil pensar a complexidade para quem vive a simplicidade, mas sempre estudaremos com o “objeto em contexto”, “depois de termos separado muito bem o sistema nervoso do sistema digestivo, é extremamente assustador encontrar neurotransmissores no sistema digestivo e hormônios digestivos no sistema nervoso” (VASCONCELOS, 2005: 111). Isso é a complexidade, que não víamos até então porque nos ensinaram assim. “[...] a inteligência que só sabe separar fragmenta o complexo do mundo em pedaços separados, fraciona os problemas, unidimensionaliza o multidimensional. Atrofia as possibilidades de compreensão e de reflexão, eliminando assim as oportunidades de um julgamento corretivo ou de uma visão a longo prazo” (MORIN, 2000: 14).
Giordan, ratificando o pensamento da complexidade, estuda o organismo humano e reforça a necessidade da interligação dos saberes afirmando que: “[...] todas as células – nosso corpo possui mais de 60.000 bilhões – dependem da regulação da água. Além do mais, tudo está interligado: gerenciando a água, o organismo gerencia a concentração dos diversos sais minerais, o pH, a pressão arterial, a temperatura e a velocidade de reação das enzimas, o metabolismo, portanto. Nosso corpo é um conjunto tão complexo que é inconcebível sem uma regulação de suas diversas funções” (2002: 231).
No organismo humano tudo se comunica com tudo, mas não de qualquer maneira. “Cada rede de comunicação tem suas vantagens e seus limites. [...] diante de um perigo imediato, é a de o organismo reagir brutalmente por uma mensagem nervosa e cultivar depois, pela duração necessária, a emissão de mensagens hormonais” (GIORDAN, 2002: 235). São interações biológicas, químicas e físicas ocorrendo ao mesmo tempo com as partes e com o todo, “é o todo que realiza a relação das partes entre elas enquanto partes, de forma que, fora do todo, não há partes” (238). Por isso, estudar os conteúdos das Ciências Naturais separadamente, como apresentado em alguns livros didáticos, e muitas vezes nas discussões em sala de aula, é uma concepção tradicional, pela qual não se consegue notar a ligação existente entre os conteúdos das áreas das Ciências Naturais e até sociais, presentes no estudo de células, de tecidos, de órgãos, de enzimas e assim por diante. “Na escola primária nos ensinam a isolar os objetos (de seu meio ambiente), a separar as disciplinas (em vez de reconhecer suas correlações), a dissociar os problemas, em vez de reunir e integrar. Obrigam-nos a reduzir o complexo ao simples, isto é, a separar o que está ligado; a decompor, e não a recompor; e a eliminar tudo que causa desordens ou contradições em nosso entendimento” (MORIN, 2000: 15).
É necessário, pois, pensar que “a interdisciplinaridade pode significar, pura e simplesmente, que diferentes disciplinas são colocadas em volta de uma mesma mesa, como diferentes nações se posicionam na ONU [...]. Mas interdisciplinaridade pode significar também troca e cooperação” (MORIN, 2000: 115), o que tentamos desenvolver. Assim sendo, a inter/transdisciplinaridade e a complexidade parecem suscitar a elaboração de propostas curriculares como a Situação de Estudo (SE), que satisfaçam este pressuposto, ao conceber o sujeito (estudante, professor, comunidade escolar) e o seu contexto como fundamentos dessa relação.
Morin (2003: 138) esclarece ainda que a interdisciplinaridade, por si só, não é capaz de romper com as barreiras disciplinares, cada vez mais soberanas, em que cada disciplina reina como se fosse a única a se fazer reconhecer. Assim, o autor busca a transdisciplinaridade como uma possibilidade de intercambiar conceitos e conhecimentos.
Segundo Martinazzo (2004: 92), “O olhar transdisciplinar busca contextualizar os conceitos, observando os diferentes e múltiplos vieses na apreensão da complexidade dos fenômenos e dos objetos observados”. O autor ainda faz referência aos conceitos de inter e transdisciplinaridade: “A interdisciplinaridade se caracteriza por uma comunicação e, até mesmo, colaboração entre as diferentes disciplinas, mantendo-se, porém, cada uma com e em sua especificidade. Já na transdisciplinaridade realiza-se um verdadeiro intercâmbio e uma transrelação nos diferentes níveis de conhecimento. Ela rompe e supera as barreiras e as fronteiras que delimitaram os conhecimentos em territórios fechados” (95).
Nesse sentido acreditamos que por meio da complexidade, da inter/transdisciplinaridade e da valorização da vivência do estudante no ensino de Ciências Naturais e, portanto, no currículo escolar, será possível uma maior compreensão sob a perspectiva CTS e a necessidade de desenvolver este propósito com os estudantes. É uma interação necessária e complexa no mundo de hoje, em que a Ciência e a Tecnologia, muitas vezes, envolvem e/ou influenciam o modo de vida das pessoas de maneira extremamente contagiante. É preciso compreender que a Ciência e a Tecnologia não são distintas do social, como, as relações com o meio ambiente.
Assim sendo, “devemos ‘ecologizar’ as disciplinas, isto é, levar em conta tudo que lhes é contextual, inclusive as condições culturais e sociais, ou seja, ver em que meio elas nascem, levantam problemas, ficam esclerosadas e transformam-se” (MORIN, 2000: 115).
Complexidade e compreensão da relação CTS
Conforme Morin (2000) há muito tempo a sociedade industrial está organizada na forma de um modelo“mecanoprodutivista do positivismo”: o progresso científico levaria ao progresso técnico, este ao desenvolvimento econômico e, por fim, ao progresso sociocultural.
Essa concepção de ciência envolveu as pessoas de tal maneira que elas acreditaram e muitas ainda acreditam que a Ciência e a Tecnologia provocam somente o bem - estar social e a felicidade de todos, sem medir a repercussão e as conseqüências negativas advindas dessa forma de fazer e pensar o mundo. O “bem - estar social” fez com que a maioria das pessoas “tomasse” a ciência como um “deus”, que fosse resolver todos os seus problemas, conforme afirmam Santos e Mortimer: “Passaram a confiar na ciência e tecnologia como se confia em uma divindade [...] Como conseqüência do cientificismo que emerge desse processo, a supervalorização da ciência gerou o mito da salvação da humanidade, ao considerar que todos os problemas podem ser resolvidos cientificamente” (2002: 1).
Nem todos os problemas, entretanto, podem ser resolvidos cientificamente. O conhecimento científico e tecnológico, estudado como algo desvinculado da realidade, sem relação com as questões sociais, é uma forma que a ciência encontrou de manipular, objetivar, ou seja, controlar o mais possível para a exatidão, a verdade do que se deseja.
Constata-se que os fenômenos naturais são complexos, uma teia de relações que se não compreendida, percebida dessa maneira, “desintegrará a complexidade do real” (MORIN, 1990) e estará sendo simplificadora.
O estudo das relações CTS é uma das questões que precisam ser abordadas e analisadas nestas relações, para que consigamos perceber a realidade como sendo complexa, ou seja, perceber as conexões e relações da realidade com um olhar não apenas disciplinar, mas transdisciplinar.
Assim, apesar da boa intenção, nem sempre a Ciência e a Tecnologia produzidas foram benéficas. Vários são os interesses de poder que estão em jogo, principalmente no que se refere aos interesses econômicos, como destaca Iglesias: “C&T é usada hoje na conquista de novos mercados e na produção de novos produtos que acelerem o ciclo de absolescência característico da sociedade de consumo. [...] grandes investimentos são realizados na área de informática, onde famílias de computadores se tornam absoletas em poucos anos. [...] As pesquisas sobre a Aids não têm tampouco uma finalidade puramente humanitária; as indústrias químicas e farmacêuticas esperam faturar bilhões de dólares com a produção de remédios e/ou uma vacina para a doença” (1989: 166).
Temos uma noção de que a construção do conhecimento científico e tecnológico e o seu rápido avanço nos trouxeram muitas “regalias”, tais como a engenharia genética com a possibilidade de curar doenças e prever o futuro delas, a clonagem terapêutica, o melhoramento genético das plantas e dos animais (transgênicos), as células-tronco com a possibilidade da especialização destas células em outras (regeneração de órgãos e reprodução de outros). Isso sem mencionar as outras novidades da Ciência e da Tecnologia, na área da computação, na área da eletroeletrônica, na área da Química, da Física... Ao mesmo tempo em que ultrapassou os seus limites de bondade e mostrou também um outro lado, que modificou significativamente as relações entre os sujeitos e destes com o meio, provocando a dizimação imediata ou em longo prazo de espécies animais e plantas, modificações da paisagem, como desvio de rios e montanhas. Para efeito de exemplificação podemos citar a degradação ambiental efetivada também pelo armamento químico (as bombas), biológico; as indústrias, os carros, exalando poluentes na atmosfera causadores de vários problemas como o aquecimento global, efeito estufa e as consequências disso na natureza; a produção de alimentos com conservantes sintéticos, que podem com o tempo levar ou não ao desenvolvimento de doenças ou alterações, mutações, pois não temos tanta certeza do que isso pode ocasionar no futuro.
Em parte a escassa reflexão sobre a forma e o modelo do conhecimento produzido traz algumas consequências negativas para as nossas vidas e nos remete a analisar como e quando essas questões devem ser discutidas pela população em geral. Isso é fundamental para que as pessoas sejam científica e tecnologicamente “formadas” de modo a perceber problemas daí decorrentes e construir soluções conscientes e referenciadas. É preciso habilitar as pessoas para o tipo de ciência que está sendo produzida, para que elas também possam ter o poder de decidir o que e até quando a ciência nos beneficia ou nos prejudica, seja na área da saúde, na informática, ou seja, em todos os aspectos. Estes, entre outros problemas advindos do conhecimento científico e tecnológico, nos preocupam, uma vez que urge o descobrimento de soluções imediatas, sob pena de as próximas gerações tenderem ao extermínio não só como consequência das guerras.
Várias perguntas emergem quando pensamos o ensino de Ciências Naturais: os estudantes estão sendo alfabetizados científica e tecnologicamente? Para que fins a ciência e a tecnologia são inventadas e designadas? A Ciência e a Tecnologia são percebidas na relação com a sociedade e as temáticas sociais? Existem possibilidades de mudanças? Que concepção CTS queremos desenvolver?
Há um pré-requisito indispensável que precisa ser atendido: uma reforma do modelo de pensamento. “A reforma do pensamento é uma necessidade democrática fundamental: formar cidadãos capazes de enfrentar os problemas de sua época é frear o enfraquecimento democrático que suscita, em todas as áreas da política, a expansão da autoridade dos experts, especialistas de toda a ordem, que restringe progressivamente a competência dos cidadãos” (MORIN, 2000: 103-104).
A temática CTS emergiu de reflexões nos anos de 60 e 70 do século XX, quando as consequências do avanço científico e tecnológico estavam repercutindo na vida das pessoas, tanto nos seus aspectos positivos quanto negativosA Estrutura das Revoluções Cientificas, de Thomas Kunh, e Silent Spring (Primavera Silenciosa), de Rachel Carson, obras publicadas em 1962, impulsionaram ainda mais as discussões, favorecendo o debate político e promovendo a criação do movimento CTS, que começou a ser considerado na educação básica (AULER et al, 2001).
Defende-se aqui a necessidade de uma alfabetização científica e tecnológica de cunho crítico e participativo nas tomadas de decisão para a resolução de problemas da Ciência, ao invés da simples transmissão-recepção de conteúdos e conceitos sem ao menos refletir, significar e contextualizá-los. Isso será possível talvez na reorganização curricular como possibilidade de mudança, uma possibilidade de reflexão sobre a natureza da Ciência, sobre o papel da Ciência, da Tecnologia, dos temas sociais e suas relações tão complexas.
Alguns objetivos da perspectiva CTS no currículo escolar são propostos por Santos e Mortimer (2002): “[...] desenvolver a alfabetização científica e tecnológica dos cidadãos, auxiliando o aluno a construir conhecimentos, habilidades e valores necessários para tomar decisões responsáveis sobre questões de ciência e tecnologia na sociedade e atuar na solução de tais questões” (4).
No momento em que a tríade CTS em muitas situações vem sendo estudada como conceitos separados e inclusive descontextualizados do meio em que as pessoas vivem, embora existam grupos de estudos como o Gipec (Grupo Interdepartamental de Pesquisa sobre Educação nas Ciências) na Unijuí (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul), que na produção e desenvolvimento de Situações de Estudo tentam abordar nas aulas de Ciências Naturais essa questão, a educação para a autoformação da pessoa e sua cidadania por meio da inter/transdiciplinaridade torna-se um mediador dessa responsabilidade que é educar para a responsabilidade de sua nação, e educar para as tomadas de decisão quanto às questões da Ciência e Tecnologia.
E, com certeza, essa questão não será de imediato resolvida, mas a tematização contínua e a elaboração de propostas que a leve em conta permitirão a compreensão dessa visão de mundo complexa, que pressupõe superar as instituições parceladas e fragmentadas, em que o todo é mais que a simples soma das partes. Há necessidade de sermos persistentes na mudança para alcançar uma melhor qualidade de vida e um pensamento “que compreenda que o conhecimento das partes depende do conhecimento do todo e que o conhecimento do todo depende do conhecimento das partes” (MORIN, 2000: 88).
A temática CTS no currículo de Ciências Naturais pode permitir junto da perspectiva da complexidade, necessariamente, o envolvimento de uma reflexão sobre a natureza da Ciência, sobre os valores das atividades científicas, sobre os métodos para a validação de um conhecimento, sobre a relação com a tecnologia, sobre as relações da sociedade com o sistema tecnocientífico e vice-versa e as contribuições desse para a cultura e para o progresso da sociedade (ACEVEDO et al, 2005: 122-123). A educação científica “debe proporcionar conocimientos para compreender mejor los mundos natural y artificial por médio de la indagación, destrezas y habilidades que son imprescindibles [...] para poder desenvolverse mejor en la vida cotidiana” (125), para assim poder participar das decisões tecnocientíficas que afetam os cidadãos.

Enfim, a complexidade nesse processo é importante, pois possibilita perceber o enredamento de um problema social sob diversos aspectos, sejam eles políticos, econômicos, biológicos, químicos e/ou outros, podendo esclarecer melhor a compreensão do mundo da vida, que não é compartimentado, estanque, mas complexo.
 
Referências
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ARAÚJO et. al. Situações de Estudo como forma de inovação curricular em Ciências Naturais. In: Sifod - III Simpósio de Formación Docente, Oberá, 2005.
AULER, Décio. Interações entre Ciência-Tecnologia – Sociedade no contexto da formação de professores de Ciências. Florianópolis: UFSC, Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, 2002.
AULER, Décio et al. Reflexões para a implementação do movimento CTS no contexto educacional brasileiro. In: Ciência e Educação, v.7, nº1, p.1-13, 2001. Acesso em 12 de abril de 2007: http://www2.ufpa.br/ensinofts/artigo4/ctsbrasil.pdf
CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 1986.
D’AMBROSIO, Ubiratan. Transdisciplinaridade. 2º ed. São Paulo: Palas Athena, 2001, 174 p.
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IGLESIAS, José Roberto. Goiânia: ciência e magia. In: Ciência e Cultura (Revista da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) 41(2): 163-170 fevereiro de 1989.
MALDANER, Otavio Aloisio; ZANON, Lenir Basso. Situação de Estudo - Uma organização do ensino que extrapola a formação disciplinar em Ciências. In: MORAES, Roque; MANCUSO, Ronaldo. Educação em Ciências-Produção de currículos e formação de professores. Ijuí/RS: Ed. Unijuí, 2004, p.43-64.
MARTINAZZO, Celso. A utopia de Edgar Morin: da complexidade à concidadania planetária. 2º ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2004, 109 p.
MORIN, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexo. 2º ed. Paris: Instituto Piaget, 1990, 177 p.
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SANTOS, W. L. P. e MORTIMER, E. F. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S (Ciência – Tecnologia – Sociedade) no contexto da Educação Brasileira. Ensaio. V. 02, n.2, Dez. 2002.
VASCONCELOS, Maria J. Esteves de. Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência. 4º ed. Campinas/SP: Papirus, 2005, 255 p.

por SANDRA MARA MEZALIRA